sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Embolização dos miomas e Agência Nacional de saúde Suplementar (ANS)


Uma boa notícia para as mulheres com miomas uterinos que necessitam realizar o tratamento dos miomas através da embolização dos miomas uterinos. Vale lembrar que a embolização dos miomas não é a única, mas sim uma das principais armas no nosso arsenal terapêutico, haja visto sua eficácia e segurança comprovados no tratamento dos miomas uterinos.

A Agência Nacional de saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde no Brasil, após ter excluído o procedimento de embolização dos miomas uterinos na Resolução Normativa 262/2011, criou uma Diretriz de Utilização (DUT) para o procedimento, obrigando a cobertura por parte dos planos de saúde, desde que a indicação do procedimento esteja de acordo com esta DUT.

Abaixo segue a publicação na íntegra que está no site da ANS:


Rol de Procedimentos 2012   (leia no site da ANS)

Data de publicação: Quarta-feira, 21/12/2011

A embolização é uma técnica de radiologia intervencionista aplicada à área ginecológica para abordagem terapêutica de várias situações, como no tratamento do leiomioma uterino sintomático. Miomas uterinos são nódulos de tecido muscular liso e tecido conjuntivo fibroso que se desenvolvem na parede do útero. São os tumores benignos mais comuns observados na prática ginecológica. 

Apesar do rol já apresentar uma opção terapêutica para o tratamento do mioma com preservação do útero - a miomectomia uterina - a embolização constitui uma alternativa minimamente invasiva ao tratamento cirúrgico para esta patologia.

Na revisão da Resolução Normativa 211/2010, que deu origem à Resolução Normativa 262/2011, publicada em 02/08/2011, e que entrará em vigência a partir de 01/01/2012, o procedimento foi excluído. A exclusão teve como base decisão da Comissão de Incorporação de Tecnologias do Ministério da Saúde (Citec) em fevereiro de 2011, que considerou o procedimento com insuficiente evidência cientifica quanto à efetividade e à segurança.

Contudo, a apresentação de novos estudos a respeito do procedimento por parte das sociedades médicas fez com que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) solicitasse uma nova avaliação desta tecnologia pela Associação Médica Brasileira (AMB), que após a avaliação dos estudos mais recentes, construiu uma Diretriz de Utilização - DUT, delimitando a população que melhor se beneficia desta técnica e para a qual tal procedimento passaria a ser coberto pelo Rol de Procedimentos.

Assim, a ANS resolve adotar a DUT estabelecida para este procedimento, a saber:

1. Cobertura obrigatória nos casos de:

a. Mulheres portadoras de leiomiomas uterinos intramurais sintomáticos ou miomas múltiplos sintomáticos na presença do intramural (sintomas expressos através de queixa de menorragia/metrorragia, dismenorreia, dor pélvica, sensação de pressão supra-púbica e/ou compressão de órgãos adjacentes).

2. Não há indicação para realização do procedimento nos casos abaixo que, portanto, não teriam cobertura obrigatória pelo Rol de Procedimentos:

a. Mulheres assintomáticas;
b. Adenomiose isolada;
c. Mioma subseroso pediculado;
d. Leiomioma submucoso (50% do diâmetro na cavidade uterina);
e. Leiomioma intraligamentar;
f. Diâmetro maior que 10 cm;
g. Extensão do mioma acima da cicatriz umbilical. 
h. Neoplasia ou hiperplasia endometriais;
i. Presença de malignidade;
j. Gravidez/amamentação;
k. Doença inflamatória pélvica aguda;
l. Vasculite ativa;
m. História de irradiação pélvica;
n. Coagulopatias incontroláveis;
o. Insuficiência renal;
p. Uso concomitante de análogos de GnRH.



terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os miomas voltam após uma Miomectomia?


Uma vez que os miomas são retirados numa cirurgia de miomectomia eles não voltam. Portanto, a "volta" dos miomas é um termo incorreto. O correto é falar sobre o aparecimento de novos miomas ou, tecnicamente falando, recidiva dos miomas. Apesar de novos miomas poderem crescer depois de uma miomectomia, a maioria das mulheres não necessitará de um tratamento adicional. Se a primeira miomectomia é realizada por um mioma único, apenas 11% das mulheres precisão ser submetidas a uma nova cirurgia dentro dos próximos 10 anos. Se a primeira miomectomia for realizada por múltiplos miomas, cerca de 26% das mulheres terão uma cirurgia subsequente em 10 anos. Mas o risco de uma nova miomectomia é ainda menor em mulheres que se aproximam da menopausa, isto porque não há tempo suficiente para que novos miomas apareçam até que a mulher entre na menopausa. Portanto, é muito incomum que uma mulher submetida a uma miomectomia após os 40 anos necessite de um novo tratamento para os miomas uterinos. 
Após uma cirurgia de miomectomia, miomas podem ser encontrados numa ultra-sonografia de rotina. Muitas vezes, o achado destes miomas após uma cirurgia está relacionado ao fato do cirurgião não ter tido o cuidado de remover o máximo de miomas possível. Um estudo revelou que 29% das mulheres haviam miomas remanescentes vistos à ultra-sonografia após uma cirurgia de miomectomia. No entanto, vale ressaltar que muitas cicatrizes no útero podem mimetizar um mioma ao ser vista numa ultra-sonografia realizada com menos de 3 meses após a cirurgia. Em outros casos, o número de miomas muito pequenos é tão grande que se torna extremamente difícil remover todos eles sem prejuízo a fertilidade e sem risco a preservação do útero. 
Embora a ultra-sonografia realizada após a miomectomia encontre miomas, muitos deles são tão pequenos e causam nenhum sintoma, não justificando qualquer tratamento, sendo recomendado apenas o acompanhamento periódico. Um estudo, por sinal muito citado por ginecologistas para encorajar as mulheres a fazerem uma histerectomia (retirada do útero) ao invés de uma miomectomia, encontrou miomas maiores do que 1,0 centímetro em 51% das mulheres em até 5 anos após uma miomectomia. Bem, 51% parece ser um número bastante significativo, mas é muito importante lembrar que poucas mulheres vão requerer um tratamento adicional neste período. 
O que poderia aumentar ou diminuir o risco de novos miomas surgirem após uma miomectomia? Um estudo revelou que o parto foi o único fator que diminuiu o risco de novos miomas surgirem. Após 10 anos, novos miomas foram encontrados em 16% das mulheres que deram a luz após a miomectomia e em 28% das mulheres que não tinham dado a luz. O risco de novos miomas surgirem também aumenta com o número de miomas retirados numa cirurgia. Não porque o cirurgião tenha deixado muitos miomas, mas por conta de uma predisposição genética maior para o aparecimento de novos miomas. 
Outra questão a ser levantada é o uso dos análogos do GnRH (por exemplo: Zoladex, Lupron) como preparo pré-operatório da cirurgia de miomectomia. Os análogos do GnRH diminuem o volume dos miomas, o que pode tornar mais difícil a identificação e a retirada de pequenos miomas durante a miomectomia. Um estudo demonstrou que, após a cirurgia de miomectomia, 63% das mulheres tratadas com análogo do GnRH tinham pequenos miomas vistos a ultra-sonografia, contra apenas 13% das mulheres que não foram tratadas com análogo do GnRH.
Portanto, diante das evidências, se a justificativa para retirar o seu útero for o fato dos miomas voltarem, questione. Pergunte e discuta com seu médico a real indicação do procedimento proposto. Se preferir, procure uma segunda opinião. E, pese na relação custo-benefício todos os motivos para preservar ou não o seu útero. 


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Miomectomia abdominal. Como é possível preservar o útero?

A miomectomia abdominal é a técnica mais utilizada em todo o mundo para o tratamento dos miomas uterinos com a preservação do útero. Ela é indicada principalmente para mulheres que desejam preservar o útero e resgatar a fertilidade, por ainda ser considerada o padrão ouro (o melhor) para o tratamento dos miomas em mulheres que desejam gestar. Ao contrário do que muitos pensam, a miomectomia abdominal é considerada uma cirurgia segura. Segundo estudos científicos, a preservação do útero é possível em 99% dos casos, desde que o caso seja bem investigado, a cirurgia seja realizada por cirurgiões experientes e habituados a este tipo de procedimento e que a técnica cirúrgica adequada seja aplicada. Os estudos científicos reportam taxas de transfusão sanguínea bastante divergentes, dependendo do centro em que a cirurgia foi realizada. Estas taxas variam bastante e podem chegar até 15% dos casos. Em nossa casuística a taxa de transfusão ocorre em até 2% dos casos. A taxa de recidiva dos miomas (a chance de novos miomas aparecerem) após a cirurgia de miomectomia é de até 30% em 5 anos. Sendo que somente 1/3 destas pacientes precisarão de um novo tratamento para os miomas.

O tempo de internação hospitalar para as cirurgias de miomectomia abdominal é de cerca de 48 horas. A recuperação pós-operatória é relativamente rápida, fazendo com que as atividades contidianas voltem completamente ao normal em até 30 dias. Apenas exercícios físicos de moderados a intensos que ficam restiritos a 45 dias após a cirurgia.

Na grande maioria dos casos o corte na pele é similar ao de uma cesariana. Para chegar até o útero, a parede abdominal é aberta por camadas, respeitando a anatomia original. Ao acessar a cavidade abdominal, sempre realizamos um inventário da cavidade pélvica, avaliando além do útero e os miomas, a situação dos ovários, das trompas e dos órgãos adjacentes, como bexiga, ureteres e intestino. Constatando normalidade nestas estruturas, dependendo do tamanho do útero e do número de miomas a serem retirados, optamos por realizar a ligadura (ou seja, a obstrução) das artérias uterinas. Esta é uma técnica que utilizamos para que o sangramento durante a retirada dos miomas seja reduzido, diminuindo significativamente as chances de transfusão de sangue e de necessidade de retirada do útero para conter o sangramento. Somente então, iniciamos uma comparação do palpação direta do útero às imagens do exame de ressonância magnética. Assim, realizamos a última etapa do planejamento estratégico definindo as incisões a serem realizadas no útero, os miomas a serem retirados e a sutura das paredes uterinas para uma adequada reconstrução do útero. Feito a incisão na parede uterina realiza-se a retirada do mioma através da dissecção da cápsula do mioma. Encontrar a cápsula que separa o mioma das parede uterinas permite uma maior facilidade na ressecção do mioma e um menor sangramento. Após a retirada do mioma verifica-se se existem outros miomas possíveis de serem retirados através da mesma incisão. Se não houver inicia-se a sutura do miométrio, ou seja, da parede uterina. Esta sutura deve ser realizada por camadas, para que o sangramento oriundo do leito em que se encontrava(m) o(s) mioma(s) seja contido e para que a parede uterina fique forte o suficiente para suportar uma gravidez no futuro.  Após a retirada de todos os miomas possíveis e da recontrução das paredes uterinas, realiza-se uma revisão da hemostasia, ou seja, avalia-se se há ainda algum tipo de sangramento. Feito esta avaliação, lava-se exaustivamente a cavidade pélvica com soro morno para remover todos os resíduos que possam levar a formação de aderências. Essa lavagem, somada a técnica de sempre trabalhar com o útero exteriorizado (para fora da cavidade abdominal), reduz significativamente a formação de aderências, o que poderia comprometer a fertilidade.

Um exemplo de uma miomectomia bem sucedida é demonstrado no video abaixo. Observem que, mesmo em miomas grandes, é possível preservar o útero. 


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Progesterona e os miomas

Certamente muitas mulheres já pergutaram para seus médicos: Existe alguma medicação para tratar os miomas?
E, prontamente, muitos ainda prescrevem medicações hormonais a base exclusivamente de progesterona. Alguns exemplos de nomes comerciais são: Cerazette, Provera, Depo-provera, Contracept, Primolut-nor, Utrogestan, DIU de Mirena, Implanon, dentre muitos que estão nas farmácias. 
A progesterona pode ser muito útil na contenção do sangramento causado pelos miomas. No entanto, muitos estudos científicos e a nossa experiência comprovam que o uso prolongado de medicações hormonais a base exclusivamente de progesterona podem levar ao crescimento dos miomas uterinos.
E, para corroborar esta evidência, segue algumas considerações apresentadas por mais um estudo científico que prova a ligação direta entre a progesterona e o crescimento do mioma.

O título do estudo é: Progesterone Is Essential for Maintenance and Growth of Uterine Leiomyoma (Progesterona é essencial para manutenção e crescimento do leiomioma uterino). 
Este estudo científico foi publicado por Hiroshi Ishikawa et al, na edição de junho de 2010 da revista Endocrinology.


As considerações feitas pelo seguinte estudo são:

Convencionalmente, o estradiol tem sido considerado o principal estímulo para o crescimento do mioma uterino. Em contraste, e para elucidar as funções dos esteróides ovarianos no mioma uterino, um novo modelo de pesquisa demonstrou claramente a exigência da progesterona no crescimento do mioma. Foi estabelecido um modelo de xenotransplante refletindo as características desses tumores de tecido humano (mioma) sob a cápsula renal de camundongos imunodeficientes.
  • os enxertos de miomas aumentaram de tamanho em resposta ao estradiol mais progesterona através da proliferação celular e aumento de volume dos componentes celulares e extracelulares.
  • o crescimento do enxerto de mioma induzido pelo estradiol e progesterona extra foi bloqueada pelo antiprogestágeno RU486.
  • o volume de sede do enxerto diminuiu significativamente após a retirada da progesterona.

Este importante estudo corrobora com as evidências de que a progesterona é necessária para o crescimento dos miomas. Além disso, o uso de altas doses de progesterona pode ser mais prejudicial do que benéfico no tratamento dos miomas. Mas, esclarecendo uma dúvida que certamente é de todas vocês, vale ressaltar que está comprovado também por outros estudos que o uso do anticoncepcional oral combinado (com estrógeno e progestágeno) de baixa dose pode efetivamente retardar o crescimento dos miomas uterinos.

Em conclusão, segundo evidências científicas, não é recomendado o uso de qualquer medicação a base exclusivamente de progesterona para o tratamento dos miomas uterinos, sob o risco do estímulo ao crescimento do mioma. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

Depoimento público de uma paciente nossa em seu blog

Este é o depoimento de uma paciente minha que foi submetida a embolização dos miomas em 01 de março de 2011. É com grande satisfação e realização que compartilho este momento com todas a mulheres que precisam de motivação e força neste delicado momento de vida: o diagnóstico de miomas uterinos e a busca pelo melhor tratamento dos miomas.

Segue a íntegra da postagem e seu link mais abaixo:

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O meu obrigada aos meus médicos!

Na terça feira, dia 01 de março, entrei em um centro cirúrgico pela 
primeira vez. Estava com muito medo mas sabia que estava em 
boas mãos. Sabia que resolveria um problema, mas este foi o 
problema mais chato que já tive e que teve que ser resolvido assim, 
a golpes de bisturi. Na verdade não foram golpes de bisturi, mas os 
detalhes da cirurgia para a retirada dos meus miomas uterinos não 
precisam ser colocados aqui, não neste momento. Entrei com a 
consciência que tinha criado aqueles miomas no meu útero e que 
seria capaz de, com a ajuda de uma equipe médica muito atenciosa, 
retirá-los de mim.

Por muito tempo frequentei consultórios médicos em que me disseram 
que não poderia ter meus filhos, que teria que tê-los - se quisesse pelo 
menos um- o mais rápido possível, e até que não poderiam me atender 
porque perguntava demais. Fiquei com raiva da classe médica, que via 
tudo aquilo de forma muito simples e "esclarecedora". Fiquei com 
cisma com os estudantes de medicina, com os médicos recém 
formados, residentes, com os meus amigos que escolheram essa 
profissão e até comigo, que na época do vestibular poderia ter 
escolhido a medicina como minha profissão, e certamente, se tivesse 
feito, não seria tratada como uma ignorante na hora do diagnóstico 
médico. 

Por ironia do destino, e que ironia, fui trabalhar em uma empresa de 
médicos e fui muito bem tratada e respeitada, pelos médicos. E nem 
tanto respeitada pelo marketing. Conheci um lado mais humano dos 
médicos, mas continuei me questionando e me arrependendo de não 
ter feito faculdade de medicina.

Depois de muitas voltas, muitas dores, muita procura, Deus colocou 
no meu caminho Centro de Mioma, o dr. Michel Zelaquett e a equipe 
médica que me fez acreditar, mais uma vez no ser humano e, de 
verdade mudar a minha vida. 

E durante aquele tempo, naquele centro cirúrgico, eu vi o quanto eu 
tenho que ser grata por uma equipe de médicos que, muito mais do 
que fazer o que tem que ser feito, mudaram minha forma de me 
relacionar com a minha vida. Pessoas extremamente envolvidas 
com o seu trabalho, que naquela hora era o meu futuro. Eram os 
meus sonhos colocados, literalmente,nas mãos de pessoas, que 
nem me conheciam, mas me acalmaram e me fizeram confiar que 
tudo daria certo.

A única coisa que eu ouvi foi "você está no lugar certo" e estava nas 
mãos certas também. Sou extremamente ansiosa, em tudo, e não é 
muito fácil confiar nas pessoas que eu não conheço. 
Mas aquela hora certamente, mudou tudo. 

Vi que não era capaz de ser totalmente responsável pela minha vida, 
pelo meu futuro, e que as vezes, Deus coloca pessoas em nosso 
caminho para nos ajudar a caminhar. E a essas pessoas, que nunca 
tinham me visto, que em somente mais um dia de trabalho, mudaram 
a minha vida, eu agradeço com todas as minhas forças.

Hoje eu sei que sou diferente. Sei que posso confiar nas pessoas e, 
mesmo que tivesse feito medicina, não seria por isso que não 
precisaria dos outros. Eu devo desculpas a outros médicos, 
enfermeiros, maqueiros e principalmente, populares que também 
mudaram a minha vida em outubro de 2000 por não ter agradecido 
a altura. Mas não queria deixar passar esta oportunidade.

Muito obrigada a estes profissionais, que muito mais que profissionais 
são seres humanos maravilhosos a quem Deus abençoou com o dom 
profissional por ter feito em mim, muito mais que uma cirurgia de 
embolização de miomas, mas uma oportunidade de uma nova vida!

por Thaís Lopes
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Confiram o depoimento na íntegra no blog:
 planos e incertezas de Thaís Lopes

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alimentação X Miomas - a experiência de uma mulher com mioma

Li esta postagem de um blog de uma mulher com mioma e achei super interessante compartilhar.
A visão sensata de uma mulher com miomas que dá importância não só ao tratamento médico, mas também ao estilo de vida.
A causa exata dos miomas ainda não foi descoberta pela ciência. Mas o crescente aumento do número de casos nos faz refletir. Será consequência do nosso estilo de vida? Será consequência da alimentação, dos produtos industrializados, dos produtos químicos, dos conservantes, estabilizantes etc? Será consequência do nosso sedentarismo?

Bem, leiam, vale a pena..!!!

Segue a íntegra da postagem e seu link mais abaixo:


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Alimentação x miomas

Provavelmente o seu médico não lhe disse que seus hábitos
alimentares podem estar relacionados com o fato de você
ter desenvolvido miomas ou com o crescimento e multiplicação
deles. Não se trata, aqui, de uma discussão sobre os fatores
genéticos desta doença, mas sim dos fatores ambientais, que
podem ser amenizados, freando assim o crescimento dos miomas,
ou mesmo fazendo-os diminuir.
Nenhum médico diz que mioma diminui; todos eles dizem
que mioma só diminui na menopausa, quando os hormônios
femininos declinam. Mas não é o que se vê na prática clínica,
e eles simplesmente ignoram o fato de que algumas mulheres
conseguem reduzir seus miomas, e não estão na
menopausa. Basta ver o comportamento dos miomas durante
a gestação: primeiro eles crescem muito por conta dos hormônios
que aumentam muito na gravidez, depois, quando a gravidez
acaba, eles diminuem novamente. Ora bolas, miomas crescem
e também diminuem! E este crescimento está claramente
relacionado com o excesso de hormônio no corpo.
Antes de continuar este post, preciso dizer que ninguém é
melhor indicado para tratar dos seus miomas do que um
bom ginecologista, de preferência um especialista em
miomas. Nunca deixe o tratamento médico (medicamentoso,
cirúrgico,acompanhamento clínico) pelo tratamento natural ou
alternativo. O tratamento alternativo é importante sim, pois pode
diminuir os miomas ou evitar que eles cresçam e se multipliquem,
mas o tratamento médico é fundamental para garantir a
preservação do seu útero. Se você não acompanha os miomas,
corre o risco de perder o seu útero numa futura cirurgia, se a
situação for se complicando. Então, junto com qualquer tratamento
natural, é essencial o acompanhamento ginecológico.

Há uma relação comprovada entre excesso de hormônios e
crescimento de miomas uterinos. Talvez você tenha uma
intolerância ao excesso de estrogênio que faça o seu útero
desenvolver estes tumores; talvez você tenha muito estrogênio
circulando no seu organismo, e este excesso faz seu útero
desenvolver miomas, assim como faz com que os miomas
continuem crescendo. A alimentação é importante para controlar
este excesso de estrogênio.


A orientação é a de sempre: vida saudável, dieta, etc, etc...
tentarei explicar os motivos e tentar te convencer a mudar
os hábitos para melhorar a condição do seu útero, como eu
consegui melhorar o meu, até agora.

1 - a gordura do seu corpo produz e armazena estrogênio:
se você está acima do peso, este é um fator importante a
ser eliminado, pois assim vc reduz a quatidade de hormônio
no seu corpo; engordar e emagrecer também é um fator
agravante para o crescimento dos miomas.

2 - o órgão responsável por eliminar o estrogênio do corpo é o fígado;
então, cuide do seu fígado! o fígado também é responsável por
metabolizar as gorduras que você come, assim como o álcool,
o café, etc...a dieta que ajuda os miomas a diminuírem (ou a
não crescerem novamente, se vc acabou de fazer uma
miomectomia)é uma dieta pobre em gorduras e rica em fibras.
Por quê?
Se você ingere menos gordura, dá menos trabalho para o
seu fígado, que poderá se ocupar em processar o estrogênio
em excesso do seu corpo, ou aquele estrogênio que faz seus
miomas crescerem. O mesmo para o álcool, que acaba
fazendo o fígado trabalhar demais, e ele deixa de processar o
estrogênio...
o mesmo para o café. Ja li que a cafeína estimula a produção de
estrogênio, além de chatear o fígado.
Existem alimentos, como a alcachofra, por exemplo, que ajudam o
fígado a trabalhar melhor; também existem chás e outras opções
como vitamina B6 e outras vitaminas, mas você precisa conversar
com um nutricionista, ou com um médico para te indicá-los da forma
correta.

3 - As fibras:
uma dieta rica em fibras, aliada a um processo digestivo
saudável, com o fígado trabalhando feliz da vida, vai te ajudar
a eliminar o estrogênio nas fezes. Se você tem prisão de ventre,
se fica com as fezes por dias paradas no intestino, saiba
que aquele estrogênio que o fígado tratou de eliminar,
será reabsorvido pelo sangue. Então é preciso ir ao banheiro
todos dias, direitinho, para eliminar o excesso de
estrogênio, que faz seus miomas aparecerem e crescerem.
Acho que cada mulher deve procurar o alimento que mais a
ajuda a regular o seu próprio intestino, e não caia em chamadas
de propaganda não...se você comer fibra, com certeza seu
intestino irá funcionar. Eu incluí na minha dieta um pires de
repolho cru (com vinagrete ou o tempero que vc preferir)
antes do almoço e do jantar. Além de ter poucas calorias,
ele te obriga a mastigar bastante, contribuindo para a sensação
de saciedade, e você acaba comendo menos na refeição. Pra mim
funcionou muitíssimo, em todos os sentidos. Algumas pessoas
têm gases com repolho, então é melhor consultar um nutricionista,
para fazer este tipo de orientação. Também como duas colheres
de sopa de aveia por dia, em salada de fruta, sucos, banana, etc...
a aveia ajuda bastante. Quando estou com prisão de ventre,
bato uma laranja no liquidificador, tiro só a parte branca da
casca, e o resto eu tomo...funciona...

4 - coisas a evitar, ou seja, coisas que você não pode comer:
açúcar branco, café, álcool, manteiga, margarina, requeijão,
queijos amarelos, farinha branca (pãe, doces, bolos que não sejam
integrais).
Enfim, no começo é torturante mesmo, mas equilibrar a dieta,
para dar um susto nos miomas, é importante. Estes alimentos
contém gordura, que deve ser evitada. Abuse dos legumes, das
verduras e das frutas e evite todo o tipo de alimento condimentado
artificialmente...todo aquele lixo que costumamos comprar
no supermercado: frios, enlatados, etc...

5 - carnes:
como queremos aliviar o fígado, nada de gorduras, meninas....
e a carne está cheia delas. Se for possível, coma apenas peixe.
Se vc não aguentar ou não puder ($), reduza as porções
de carne para pequenos pedacinhos, pequenas quantidades
mesmo, e sempre carnes magras. Dizem que a carne tem
hormônio que vem da alimentação dos animais; se a carne for
de boa procedência isso não é verdade, pois atualmente
existem normas rígidas para isso, e os animais não podem
mais receber hormônios e antibióticos, então não é tão
preocupante assim. Evitar carne vermelha e de frango,
de qualquer jeito, é uma boa opção.

6 - exercícios:
também não dá para escapar deles. Eu pesquisei bastante,
mas não consegui encontrar nenhuma informação que me
explicasse ação do exercício com os hormônios. Se
alguma leitora souber, seria legal termos uma explicação
por aqui. Li que os exercícios físicos diminuem o estrogênio,
ajudando no equilíbrio hormonal. Mas também li que o estrogênio
aumenta na hora da atividade, então eu realmente não sei dar
essa informação com certeza. Contudo acredito que o exercício
contribui para o equilíbrio hormonal e para a manutenção
da saúde, bem como para o emagrecimento e a eliminação da
gordura corporal.

7- Melão amarelo:
você pode acreditar, ou não...mas o melão amarelo é uma
fruta amiga do útero. Inclui-lo na dieta com frequência,
sobretudo antes da menstruação, pode ajudar bastante...
Dizem por aí, e esta informação pode ser uma crendice popular,
que o melão dissolve os coágulos da menstruação. Eu sinto
que ele ameniza minhas cólicas e acredito muito no melão
como alimento que cuida do útero. Troque o refrigerante por
suco de melão...dizem que é bom tomar 1/4 do melão todo
dia de manhã. Nunca fiz assim, á risca, mas aumentei a
quantidade de melão na minha dieta.

8 - homeopatia e antroposofia:
sempre fui descrente de homeopatia, que dirá de antroposofia;
fui uma das que criticava mas que agora não abre mão delas.
O homepata vai tratar a causa dos miomas, e não os apenas os
sintomas dele...quando estive diante da possibilidade de uma
cirurgia no útero, sem ainda ter tido filhos, recorri à homeopatia
meio desesperada, mas agora sei que ela funciona sim.
Inclusive há remédios que ajudam a cessar as hemorragias.
Consulte um homeopata e/ou um médico antroposófico.

9 - Chás, garrafadas, ervas e afins:
Este é um tema polêmico para ser tratado por uma pessoa
que não é da área médica. Os médicos são descrentes de
tudo; riem na nossa cara quando falamos de tratamentos com
ervas, etc etc...Mas o fato é que os médicos só nos dão duas
opções com relação aos miomas: esperar (e esperar é vê-los
crescer e se multiplicar) ou operar. Operar pode ser tirar o
mioma ou o útero. Aliás, não sei porque os médicos não
se importam com nossos úteros. O útero é a mulher da mulher,
assim como o saco do homem representa a masculinidade.
Queria ver se eles deixariam que lhes arrancasse o saco fora...
afinal, ele pode não servir pra nada......rs.
Voltando às ervas: terapias com uxi amarelo e unha de gato,
óleo de prímula, chá verde, agoniada, barbatimão, agnus castus,
e todas as opções que vemos por aí são válidas e dão muito
certo se aliadas com a mudança radical da dieta. O importante
é vocÊ consultar um médico fitoterapeuta. Ele vai te indicar
tudo na dosagem certa e da forma correta de fazer.
Nâo saia tomando tudo por aí sem orientação médica,
pois as plantas podem ser boas, ou más. Então é preciso
acompanhamento. Existem médicos que utilizam ervas como
medicamentos, então é melhor que você os procure antes de
tomar, pois algumas podem dar reações e mesmo serem abortivas.

10 - Se a mudança na dieta e nos hábitos de vida não fizer o mioma
diminuir
(o que é difícil de acontecer) ou parar de se multiplicar,
com toda a certeza sua vida terá melhorado muito, de qualquer forma.
Sua pele ficará mais bonita, você ficará mais gostosa, mais feliz,
mais bem humorada, e terá mais força para enfrentar a
maratona de ser mulher, de ter útero, e de ter miomas no útero.

Beijos a todas vocês, e tudo de bom!

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Postado por Lacal no
site:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Artigo: "Morbidade da miomectomia abdominal: Desfazendo o mito"

Este interessante artigo científico aborda a morbidade da miomectomia abdominal.

Em primeiro lugar, é importante entender sobre o termo "morbidade". Morbidade é a chance de uma doença ocorrer em um determinado grupo de pessoas num dado momento. No caso da miomectomia é a chance de uma complicação tipo hemorragia, infecção, retirada do útero, lesão de outros órgãos como ureter, bexiga e intestino ocorrer na cirurgia de miomecotmia.

A miomectomia é o procedimento mais comum oferecido as mulheres com miomas sintomáticos e que desejam preservar o útero. Historicamente a miomectomia sempre foi considerada um procedimento complexo e com alto risco de complicações. No entanto, não há nenhuma evidência científica que apoie esta hipótese. Estudos recentes tem mostrado que a morbidade da miomectomia e da histerectomia são comparáveis. As mulheres que são submetidas a miomectomia, em geral, são mais jovens, estando conseqüentemente mais aptas a um procedimento de maior porte. A revisão das evidências atuais indicam que, na prática atual, a miomectomia, quando realizada por um cirurgião experiente, é um procedimento seguro e de morbidade não maior do que a histerectomia. Embora com risco de histerectomia de aproximadamente 1%, todas as pacientes que vão ser submetidas a miomectomia devem ser informadas deste risco.
Apesar de inúmeras outras técnicas para o tratamento conservador dos miomas surgirem a cada dia, é importante ressaltar que mais estudos científicos serão necessários para consagrá-las como uma técnica que possa substituir definitivamente a cirurgia para retirada dos miomas. Até porque, estas novas técnicas não são aplicáveis a todos os casos. Enquanto isso, a miomectomia, por ser segura e amplamente estudada, ainda paira como uma ótima opção para o tratamento dos miomas sem a retirada do útero.

Vide abaixo o link para o artigo estudado:

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Miomectomia - passo a passo

Cirurgia realizada pela nossa equipe do Centro de Mioma.

Cirurgia de miomectomia por laparotomia com retirada de 3 miomas, sendo o maior mioma com cerca de 12 centímetros. Observe que houve total preservação do útero, trompas e ovários e, durante toda a cirurgia, o sangramento foi controlado e reduzido.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ExAblate - mais informações

Nos últimos anos o tratamento dos miomas ganhou mais uma arma no seu arsenal, o ExAblate. Este aparelho é o único capaz de realizar o tratamento totalmente não invasivo dos miomas uterinos, através da ablação do mioma por MRgFUS.

Clique aqui e acesse o texto com informações específicas e voltadas para profissionais de saúde.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Qual o melhor tratamento para os miomas SEM a retirada do útero?

Esta pergunta não é incomum. Certamente muitas mulheres já se perguntaram. E, certamente, muitas já perguntaram para seu médico. Na verdade, a resposta certa, apesar de óbvia, poucas vezes é respondida com clareza. Não há tratamento para os miomas uterinos SEM a retirada do útero que seja melhor do que os outros.
Aí vem outras perguntas:
E os tão divulgados tratamentos minimamente invasivos, como a embolização dos miomas?
Os novos tratamentos, como o ExAblate, são confiáveis?
E os tratamentos tradicionais, como a miomectomia, ainda são bons?
Todos os tratamentos são bons, seguros, confiáveis e, na grande maioria das vezes, cumprem o principal objetivo: a preservação uterina. No entanto, a escolha do melhor tratamento depende de 3 fatores principais, são eles:
1) Os sintomas da paciente.
2) Os tipos de miomas que a paciente apresenta.
3) O perfil da paciente.

Para entendermos melhor esta segmentação vejamos abaixo:
O tratamento a ser escolhido deve estar direcionado a melhora dos sintomas que a mulher com mioma apresenta. Ou seja, se é sangramento uterino anormal, o tratamento tem que melhorá-lo. Se é aumento do volume abdominal, o tratamento deve reduzí-lo. Se for aumento da frequencia urinária por compressão da bexiga, este sintoma deve ser tratado. E, também, se o sintoma for infertilidade, o tratamento deve estar direcionado a melhora da fertilidade da mulher. Portanto, a escolha do tratamento deve estar condicionada a melhora dos sintomas apresentados, objetivando a melhora da qualidade de vida desta mulher.
Os tipos de miomas apresentados também vão influenciar diretamente na escolha do melhor tratamento. Os tipos de miomas, como apresentado em postagem anterior, podem variar de acordo com a localização, o tamanho, o número de miomas e, principalmente, o componente (conteúdo) do mioma. Um exemplo quanto a localização são os miomas pediculados, que não devem ser tratados pela embolização ou pelo ExAblate, sob o risco de se desprenderem do útero. Outro exemplo de localização são os miomas submucosos (na camada mais interna do útero), quase sempre o melhor tratamento é a miomectomia por videohisteroscopia. Mas se este mioma submucoso for muito grande, em geral acima de 4 centímetros de diametro, a miomectomia por videohisteroscopia pode não ser o melhor tratamento. Então, pode ser necessário um tratamento para reduzí-lo antes de retirá-lo. Miomas extremamente grandes (em geral acima de 14 centímetros) podem não ter como uma boa opção os tratamentos para redução do volume, como a embolização ou o ExAblate, visto que estes miomas podem permanecer ainda grandes. Múltiplos miomas (em número acima de 4) podem não ter como boa opção de tratamento o ExAblate ou a miomectomia por videolaparoscopia. Quanto ao conteúdo, miomas não vascularizados ou degenerados não servem para o tratamento através da embolização ou do ExAblate. Miomas muito hidratados também não são bons para o ExAblate. Por estes motivos, a propedêutica de investigação para o tratamento conservador dos miomas uterinos deve passar obrigatoriamente pela ressonância magnética de pelve com contraste. Só a ressonância, diferentemente da ultrassonografia, pode fornecer com certa confiabilidade os dados quanto ao número de miomas, localização e tamanho dos principais miomas e o conteúdo destes miomas, referente a vascularização, celularidade e hidratação do mioma.
Agora a mais importante variável nesta equação que é a escolha do melhor tratamento para os miomas uterinos SEM a retirada do útero. O PERFIL da paciente. Este perfil deve ser definido de maneira única, individual e personalizada. Ou seja, o perfil de uma paciente com miomas é único. Somos pessoas únicas inseridas em um contexto. Cabe a nós médicos investigarmos o contexto em que vocês pacientes estão inseridas. Este contexto é formado por vários fatores como idade, estado civil, renda familiar, prole, desejo de engravidar, trabalho, tipo de trabalho, atividade física etc. Saber deste contexto significa dimensionar o tratamento de acordo com seus desejos e aspirações e de acordo com a importância que você exerce na sua vida familiar, no seu ambiente de trabalho enfim, na sociedade. Então, definitivamente, não devemos tratar uma parte de uma pessoa e sim um indivíduo como um todo inserido na coletividade (sociedade).
Finalmente...para nossa pergunta:
Qual o melhor tratamento para os miomas SEM a retirada do útero?
A resposta:
Depende, do seu médico analisar de maneira criteriosa seus sintomas, os tipos de seus miomas e o seu perfil. Além disso, depende também dele ter disponível todas as opções de tratamento dos miomas uterinos SEM a retirada do útero, para, dentre todas opções, poder escolher o melhor tratamento para o SEU caso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tratamento dos Miomas: ExAblate

Três novos estudos publicados na edição de novembro da revista científica Ultrasound in Obstetrics and Gynecology ratificam a eficácia do ExAblate (ultra-som focalizado guiado por ressonância magnética) para o tratamento dos miomas uterinos.

Os dados apresentados apontam para o ExAblate como sendo um método seguro, eficaz e duradouro para o tratamento dos miomas uterinos. Num dos estudos o tratamento dos miomas sintomáticos apresentou menos riscos e uma recuperação muito mais rápida do que a histerectomia.

O Prof. Wladyslaw M. Gedroyc, do St. Mary's Hospital, Imperial College Healthcare Trust de Londres, Reino Unido, num parecer publicado nesta edição de novembro disse: " Sabemos agora que o MRgFUS (ultra-som focalizado guiado por ressonância magnética) funciona de forma rápida, com poucos efeitos colaterais e que os pacientes podem retornar a função normal quase que imediatamente após o tratamento. Sabemos também que quanto maior a área de ablação do mioma, melhor será a resposta sintomática a menor a necessidade de outras intervenções, e quando a resposta sintomática precoce é altamente eficaz, a melhora dos sintomas a longo prazo quase sempre é observada."

Confira o link:

sexta-feira, 24 de julho de 2009

ExAblate - Tratamento não invasivo para os miomas uterinos

Como coordenador do Centro de Miomas da Rede D'Or, no dia 20/07/09, ministrei uma aula no Hospital Esperança em Recife-PE para 18 dos mais conceituados e influentes ginecologistas e obstetras da cidade.
A aula foi para apresentar o mais moderno e eficaz tratamento não invasivo para os miomas uterinos, o ExAblate. Conforme já expliquei em postagem anterior, o ExAblate consiste na ablação dos miomas por ultra-som focalizado guiado por ressonância magnética.
Abaixo segue o vídeo da aula:

domingo, 28 de junho de 2009

Alternativas para Histerectomia segundo ACOG

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) publicou em agosto de 2008 um Boletim Prático ACOG sobre "Alternativas para Histerectomia no Controle de Leiomiomas".

Este boletim tem a finalidade de orientar ginecologisas e obstetras no tratamento dos miomas uterinos sem a retirada do útero.

Algumas citações do Boletim Prático são:

"Ao escolher uma alternativa para a histerectomia, tanto a segurança quanto a eficácia devem ser consideradas para cada tratamento. Deve-se reconhecer que todas as alternativas para a histerectomia possibilitam que novos leiomiomas se formem, e a pré-existência de leiomiomas pequenos ou não-detectados pode apresentar um crescimento significativo, necessitando de um outro tratamento. O risco de recorrência deve ser ponderado em relação aos potenciais benefícios de procedimentos que preservam o útero, tais como taxas diminuídas de morbidade e fertilidade continuada. No entanto, as complicações relativas ao procedimento podem raramente levar a uma histerectomia imprevista."

"Os dados são limitados sobre os efeitos do tratamento de leiomiomas com estrogênio e progestina. O tratamento com estrogênio e progestina, geralmente através de contraceptivos orais, podem controlar os sintomas de sangramento sem o estímulo de crescimento de leiomioma futuramente. No entanto, estudos de terapia com progestina demonstraram resultados contraditórios."

"Os efeitos dos antagonistas de GnRH são temporários, com crescimento recorrente gradual de leiomiomas para o tamanho anterior alguns meses após encerrado o tratamento. Além disso, os sintomas significativos da pseudo-menopausa e impacto adverso do hipoestrogenismo induzido na densidade do osso limitam seu uso sugerido a não mais do que 6 meses sem terapia de reposição."

"Para as mulheres que desejam a preservação do útero, a miomectomia pode ser uma opção. O objetivo do procedimento de miomectomia é remover os leiomiomas visíveis e acessíveis e depois reconstruir o útero. Tradicionalmente, a maioria das miomectomias são realizadas por meio de laparotomia; no entanto, opções endoscópicas têm sido cada vez mais utilizadas."

"Experiência clínica e resultados agrupados de numerosos estudos pequenos sugerem que a miomectomia abdominal melhora de maneira significativa os sintomas da menorragia (resolução 81% geral; faixa 40-93%), com resultados semelhantes para resolução da pressão pélvica (29). Sendo assim, a miomectomia abdominal é uma opção segura e eficaz para o tratamento de mulheres com leiomiomas sintomáticos."

"Um outro risco de miomectomia é a possibilidade de submeter-se a uma histerectomia inesperada por complicações intra-operatórias. Esse risco parece ser baixo (menos de 1%), mesmo quando o tamanho do útero é substancial (28, 34-37). A perda sanguínea e o risco de transfusão podem ser aumentados com úteros maiores (28, 37)."

"A miomectomia endoscópica é uma opção de tratamento para algumas mulheres (38). A miomectomia laparoscópica minimiza o tamanho da incisão abdominal, resultando em uma recuperação pós-operatória mais rápida. Devido ao fato de a natureza da dissecação e suturação, é tipicamente exigida uma expertise cirúrgica especial. (...) Existe um número de séries de casos de miomectomias laparoscópicas, o maior deles relatando mais de 2000 pacientes durante um período de 6 anos (39). Essas coortes relatam taxas de complicação gerais entre 8% e 11%, com taxas de gravidez subsequentes entre 57% e 69% (39, 40)."

"A miomectomia histeroscópica é um método aceito para o controle do sangramento uterino anormal causado por leiomiomas submucosos. (...) Estudos apontaram remoção bem sucedida do leiomioma na histeroscopia inicial em uma taxa de 65-100%, com alcance maior de 85-95% (51). Uma cirurgia subsequente é necessária em aproximadamente 5-15% dos casos, e a maioria desses casos envolve um segundo procedimento de histeroscopia."

" O estudo clínico randomizado A Embolização das Artérias Uterinas no Tratamento de Tumores Fibróides Uterinos Sintomáticos (EMMY) comparou a embolização das artérias uterinas com a histerectomia abdominal total. Nesse estudo clínico, os pacientes submetidos à embolização das artérias uterinas sofreram significativamente menos dor durante as primeiras 24 horas pós-operatórias e retornaram ao trabalho mais cedo (28,1 versus 63,4 dias) do que pacientes submetidos à histerectomia (54). As taxas de complicações maiores foram similares, 4,9% para embolização das artérias do útero, e 2,7% para histerectomia. Complicações menores, tais como corrimento vaginal, expulsão de leiomioma e hematoma foram maiores dentre o grupo que se submeteram a embolização das artérias uterinas em comparação com aqueles que se submeteram a histerectomia (58% versus 40%), bem como taxas de readmissão maiores para aqueles que se submeteram a embolização das artérias uterinas (11,1% versus 0%) (55)."

"Com base em resultados a curto e a longo prazo, a embolização das artérias uterinas é uma opção segura e eficaz para mulheres apropriadamente selecionadas que desejam manter seus úteros. As mulheres que desejam submeter-se à embolização das artérias uterinas devem passar por uma avaliação meticulosa com um obstetra-ginecologista para ajudar a facilitar a colaboração máxima com os radiologistas intervencionais e garantir a adequabilidade da terapia, levando em conta os desejos reprodutivos da paciente."

"Considerando que os estudos a curto prazo apresentam segurança e eficácia, os estudos a longo prazo são necessários para discernir se a vantagem minimamente invasiva da cirurgia por ultra-som focalizado guiado por MRI irá levar a resultados duradouros além de 24 meses."

"Leiomiomas intramurais e submucosos podem causar distorção da cavidade uterina ou obstrução de óstio tubal ou do canal cervical e, dessa forma, podem afetar a fertilidade ou acarretar complicações durante a gravidez (88-90). Quando as miomectomias abdominais foram realizadas em mulheres com infertilidade de outra forma inexplicada, as taxas de gravidez subsequentes foram relatadas como sendo 40-60% após 1-2 anos (29, 91-93)."

"Alguns cirurgiões acreditam que uma miomectomia profilática pode ser apropriada para selecionar mulheres com leiomiomas grandes que desejam preservar sua fertilidade futura. Com um cirurgião experiente, a evidência demonstra que a taxa de complicação da miomectomia é baixa com tamanho de útero substancial; dessa forma, a cirurgia pode ser sensata (28, 30, 31, 34, 36)."

"Uma conduta expectante em uma paciente assintomática deve ser a norma, mas, em alguns casos, um útero leiomiomatoso assintomático pode necessitar de tratamento. (...) O diagnóstico clínico de leiomiomas de crescimento rápido não deve ser utilizado como indicação para miomectomia ou histerectomia. Se for feita uma comparação entre a prevalência de leiomiomas descobertos casualmente (1/2.000) e a taxa de mortalidade para histerectomia para doença benigna (1-1,6/1.000 para mulheres na pré-menopausa), a decisão de proceder com histerectomia para encontrar potenciais sarcomas deve ser tomada com cautela (111). Outros fatores de risco para sarcomas, incluindo avanço da idade, histórico de radiação pélvica anterior, uso de tamoxifeno, ou ter uma pré-disposição genética rara resultando em leiomiomatose hereditária e síndrome de carcinoma de células renais podem influenciar essa decisão (114). De forma alternativa, tanto a biópsia endometrial quanto o MRI parecem ser úteis no que diz respeito ao diagnóstico de sarcomas e à sua diferenciação de outras lesões intra-uterinas (115-117). Em conclusão, existe pouca evidência para suportar a histerectomia para leiomiomas assintomáticos somente para aperfeiçoar a detecção de massas anexas, para prevenir deficiência da função renal, ou para excluir malignidade."

Abaixo segue o resumo das recomendações para o tratamento dos miomas uterinos segundo o ACOG:

Resumo de Recomendações

As seguintes recomendações e conclusões são baseadas em evidência científica boa e consistente (Nível A):

* A miomectomia abdominal é uma alternativa segura e eficaz à histerectomia para o tratamento de mulheres com leiomiomas sintomáticos.

* Com base em resultados a longo e a curto prazos, a embolização das artérias uterinas é uma opção segura e eficaz para mulheres apropriadamente selecionadas que desejam manter os seus úteros.

* Os agonistas do hormônio de liberação da gonadotrofina têm mostrado que melhoram os parâmetros hematológicos, diminuem a permanência no hospital, e diminuem a perda sanguínea, o tempo de cirurgia, e a dor pós-operatória quando administrados 2-3 meses antes da cirurgia. Os benefícios do uso pré-operatório dos agonistas de GnRH devem ser considerados quanto ao seu custo e efeitos colaterais para pacientes individuais.

* Diversos estudos sugerem que a infiltração de vasopressina no miométrio diminui a perda sanguínea no momento da miomectomia.

As seguintes recomendações são baseadas em evidência científica limitada ou inconsistente (Nível B):

* O diagnóstico clínico de leiomiomas de crescimento rápido não deve ser utilizado como indicação para miomectomia ou histerectomia.

* A miomectomia histeroscópica é um método aceito para o tratamento de sangramento uterino anormal causado por leiomiomas submucosos.

As seguintes recomendações e conclusões são baseadas principalmente no consenso e opinião de especialistas (Nível C):

* Existe evidência insuficiente para suportar a histerectomia para leiomiomas assintomáticos somente para aperfeiçoar a detecção de massas anexas, para prevenir deficiência da função renal, ou para excluir malignidade.

* Os leiomiomas não devem ser considerados a causa da infertilidade, ou fator significativo da infertilidade, sem concluir um exame básico de fertilidade para avaliar a mulher e o seu parceiro.

* A terapia hormonal pode causar certo aumento modesto no tamanho do leiomioma uterino, mas não aparenta ter um impacto nos sintomas clínicos. Portanto, essa opção de tratamento não deve ser descartado para as mulheres que desejam ou precisam desse tratamento.

* O efeito da embolização das artérias uterinas na gravidez permanece pouco estudado.